GNU e Linux: amigos para sempre
Esse artigo é apenas um simples resumo (muito resumido) da história do hacker Richard Stallman, do projeto GNU e do surgimento do Linux. Feito para usuários iniciantes que não sabem o que é GNU e qual a sua ligação com o Linux.
Parte 2: A história do GNU e GPL
4. GNU
Como Richard Stallman chegou a se interessar pelo sistema UNIX, ele acabou querendo criar um sistema nos mesmos moldes: simples, robusto, seguro e de fácil portabilidade... Mesmo que levasse muitos anos - o que era algo muito provável.Já que o sistema seria parecido com o UNIX, sem ser o UNIX, Richard Stallman resolveu batizar o seu sistema de "GNU", que significa "GNU is Not Unix", ou seja: GNU não é UNIX.

Mascote do projeto GNU GNU é um acrônimo (palavra formada pelas letras ou sílabas iniciais de outras palavras sucessivas), e como esse acrônimo "chama" ele mesmo, define ele mesmo, trata-se de um acrônimo recursivo. O conceito de recursividade é muito comum entre programadores. De acordo com Richard Stallman, 50% da diversão em criar um programa é escolher o nome para ele.
Obs.: Gnu também é o nome de um mamífero nativo do continente africano.

Gnu típico
5. Cerveja de graça?
O projeto GNU teve início em 1984. Apesar de sua demissão do MIT, Richard Stallman teve permissão (e continua tendo até hoje) para desenvolver seu projeto nos laboratórios do instituto.Criar um sistema do zero não é tarefa fácil. Era preciso criar absolutamente tudo: núcleo do sistema, ferramentas, aplicativos etc. A ideia de Richard Stallman era criar uma versão livre dos programas UNIX.
Richard Stallman tornou-se famoso por criar vários programas, dentre os quais se destaca o editor de textos GNU Emacs. Esse editor de textos de tornou uma pequena fonte de lucro para Richard Stallman. As pessoas enviavam dinheiro para ele e ele enviava para as pessoas uma fita com o código-fonte e documentação do editor.
Vale lembrar ao leitor que "código livre", ou "software livre", não é a mesma coisa que "código grátis". Um código livre pode, ou não, ser gratuito. Quando um código é livre, isso quer dizer que o possuidor do código tem permissão para alterá-lo, distribuí-lo, estudá-lo e usá-lo como quiser, sem se preocupar em ser acusado de pirataria.
É clássica a frase: "think of free as in free speech, not as in free beer."
Possível tradução: "Pense em liberdade como em liberdade de expressão e não como em cerveja de graça."
6. Copyleft
O usuário, ao utilizar um software livre, segundo Richard Stallman, teria direito a quatro liberdades básicas:- Liberdade para executar o software com qualquer propósito, mesmo um que não tenha sido previsto pelo autor que desenvolveu o software;
- Liberdade de modificar o software de acordo com as suas necessidades;
- Liberdade de distribuir cópias do software (de graça ou não);
- Liberdade de distribuir cópias modificadas do software;
Perceba que algumas dessas liberdades só se tornam possíveis quando o possuidor do software tem acesso aos códigos-fonte do mesmo, sendo assim, o acesso aos códigos é um pré-requisito para essas liberdades. Obviamente isso é algo completamente diferente da ideia de software proprietário.
Mas isso poderia gerar um problema. E se alguém usasse um código livre e o misturasse em um código proprietário? Aquele código deixaria de ser livre.
A solução de Richard Stallman para isso foi simples: o possuidor do código livre só teria os seus quatro direitos (citados anteriormente) se o código que ele distribuísse também fosse livre. Dessa forma não haveria possibilidade para a distribuição de código proprietário misturado com código livre, pois ao usar um pedaço de código livre, o programa passa a se tornar livre, caso contrário, não poderá ser distribuído. Essa ideia foi chamada por Richard Stallman de Copyleft, em oposição a ideia de copyright.

Copyleft: o contrário de Copyright
7. GPL
O Copyleft foi de fato implantado a partir da criação de uma nova licença, a GPL (General Public License), ou Licença Pública Geral, que acabou tornando-se a licença mais utilizada em projetos de software livre.Resumindo, a GPL garante a livre distribuição do código e impede que o mesmo se torne parte de um software proprietário.
A primeira versão da GPL foi publicada em janeiro de 1989. Em junho de 1991 foi publicada a segunda versão. Em 2005, Richard Stallman anunciou que estava preparando uma nova versão da licença que foi chamada de GPLv3, cujo lançamento ocorreu em 29 de junho de 2007.
O conceito de Copyleft pode parecer uma piada de hacker, mas a GPL é realmente parte da Lei e qualquer infração contra ela tem consequências judiciais.
Já no Brasil há muita discussão sobre a compatibilidade da GPL com a legislação brasileira. A GPL diz que o consumidor (aquele que obtém o produto, seja de graça ou não), não tem garantia nenhuma por parte do distribuidor. Mas a Lei do Consumidor e o artigo 8° da Lei do Software obriga o vendedor (ou distribuidor) a dar as garantias obrigatórias previstas em lei.
8. FSF e GNU Hurd
Em 1985, Richard Stallman inaugurou a Fundação do Software Livre (FSF - Free Software Foundation), uma organização sem fins lucrativos mantida por donativos. A FSF pretendia terminar o projeto GNU, no mais tardar, no início dos anos 90. Isso exigiria o esforço conjunto de diversos programadores da FSF.Os aplicativos, ferramentas etc, em sua maior parte, haviam sido criados, mas ainda faltava uma parte muito importante - essencial na verdade, era o kernel (núcleo) do sistema. Até então todos os programas eram testados em sistemas proprietários compatíveis.
Os programadores da SFS começaram a procurar por algum projeto de kernel já existente, para ganhar tempo, e encontraram um tal de kernel Mach, projeto livre da Universidade Carniege Mellow. Eles trabalharam nesse kernel, aperfeiçoado-o... E o kernel Mach acabou se tornando um kernel conhecido como GNU Hurd.
Na verdade O Hurd é um conjunto de servidores que funcionam sobre o microkernel GNU Mach. Juntos eles formam a base para o sistema operacional GNU.
Como quase sempre, aquilo que vale a pena conseguir, não é fácil de se obter. O GNU Hurd, devido ao seu modelo de kernel (micro-kernel) baseado em daemons (servidores), é muito complexo e seu desenvolvimento é lento. Isso atrasou o projeto por muito tempo. Na verdade ele continua em desenvolvimento até hoje.

Stallman 2007
Mudou totalmente meu conceito sobre Linux, GNU, e Software Livre.
Apesar de ser usuário Linux há algum tempo, eu não sabia de muita coisa ...