A imbecilidade real revelada pela realidade virtual
Como é doloroso ver ferramentas desenvolvidas para o progresso da humanidade serem reduzidas a meros meios baratos de entretenimento fútil. Aqui faço uma reflexão sobre os rumos da internet, do computador pessoal, da computação corporativa e até mesmo da influencia da pirataria e do Software Livre diante o tema.
Parte 2: A computação corporativa em risco
Até aqui abordamos algo que milhares de artigos, tanto na web quanto nos meios clássicos como jornais e revistas, já abordaram, tantas vezes, com variados enfoques, mas estes argumentos servem de base para entrarmos num plano um pouco mais delicado, pois essa situação de esquecimento dos valores da informática (e até do conhecimento humano) não se detém nos domínios da "computação pessoal", mas também está arraigada no meio corporativo.
Nesse meio o pensamento deveria ser, de maneira simples, padronização e organização para a consequente otimização dos processos, afinal aqui as coisas são mais sérias, exigem mais controle, os dados em questão são muito mais importantes que um perfil numa rede social, mas, como corporações são feitas de pessoas, as mesmas falhas do "pessoal" se infiltram na "cultura" da maioria dessas instituições - e eu vou dar só uma "pincelada" pois este assunto pode até ser perigoso pra mim, mas eu prefiro não ser parcial.
Uma das dificuldades em se obter sucesso na gestão da informação em boa parte das corporações não é culpa simplesmente do processo de adaptação ao, no caso, novo sistema informatizado de gerenciamento em si, mas, analisando de forma bem direta e crítica, muitas instituições não procuram um modo de tornar seus processos mais padronizados, otimizados e produtivos, não tratam sua organização interna com o zelo que deveria, mas querem apenas uma coisa que, como diria um colega de profissão, "informatize sua bagunça".
Dessa forma qualquer tentativa no sentido correrá sempre o risco de fracassar, pois, por mais que o vilão da história sempre acabe sendo o sistema computacional, o problema é muito mais profundo, algo que a consultoria de um bom profissional da administração poderia resolver (mas isso também nem sempre é tido com importante). Diante disso o jeito é "flexibilizar" os padrões antes propostos, só que essa flexibilização também não é feita de modo a se manter o mínimo de padrões necessários para garantir a estabilidade desses processos, o que vai se refletir nos resultados destes.
Entenda que isso não significa que "personalizações" não devem ser feitas - o problema está no fato de que estas "personalizações" nem sempre são bem projetadas e muitas vezes não passam de meros "fetiches" que ao longo do tempo comprometem não só o sistema de gestão, mas também tornam o processo de administração dos dados em questão em algo muito confuso ou até sem lógica.
Em suma, seria aquilo que a Física já diz a tempos e que chamamos de entropia, que é a tendência dos sistemas ao desgaste, com consequente relaxamento dos padrões e aumento da aleatoriedade. Parece que os gestores têm dificuldades de enxergar isso, esperando da ferramenta algo além de sua função, negligenciando o papel da pessoa no processo de controle lógico desta ferramenta esperando que ela funcione como um bola de cristal, e do lado dos "fornecedores" falta capacidade de lidar com estas situações, capacidade pra oferecer uma solução e não um paliativo.
Já dizia o velho ditado que "de médico e louco todo mundo tem um pouco", mas ele também se encaixaria hoje perfeitamente com a computação. Como já dito, por ela estar em foco e ser uma ferramenta de integração (o que é muito bom mesmo, afinal existe pra isso) ela acaba sofrendo com o fato de todo mundo achar que pode "meter a mão", ou que o seu sobrinho faz isso fácil-fácil com a "mão nas costas"... O profissional e a própria área são desvalorizados nesta cultura e o resultado é que os bons profissionais, empresas e produtos são deixados de lado e os maus ganham evidência.
E não só o pessoal da área sofre com isso, mas todos que usam a informática de alguma forma também. Essa falta de consideração faz com que empresas e pessoas sejam vítimas de quem se infiltra na área se dizendo profissional de TI, mas age sem nenhuma ética, sem se preocupar com a qualidade dos produtos e serviços oferecidos. São estas pessoas que por exemplo impulsionam a pirataria de software, pois sempre oferecem as soluções mágicas e mais fáceis, que todos sabem muito bem como são obtidas na maioria das vezes.
Entrando nisso, quem apoia os projetos do mundo GNU/Linux e do software livre (como eu) em geral acaba sofrendo preconceito, chamado de fanático etc... Infelizmente enquanto vivermos em um mundo em que o dinheiro (e ganho de forma mais fácil) for mais importante do que a qualidade isso dificilmente vai mudar! E o que o administrador de uma empresa que não é obrigado a entender de informática tem a ver com isso? Bem, muitas vezes ele cai na conversa de maus profissionais, se torna parceiro da pirataria e coloca os dados de sua empresa em risco, prova disso são os não raros servidores com senhas "123456" que eu vivo encontrando por aí (você entregaria sua senha do banco ou a chave de sua empresa ou casa assim tão fácil?), redes, permissões de acesso, políticas de privacidade e sistemas mal-projetados e desperdício de material e dinheiro - pra não entrar em dados técnicos que levarão e mostrar fatalmente porque o GNU/Linux deveria ser mais levado em consideração e usado principalmente no meio corporativo.
E não são só as empresas não ligadas a informática que são enganadas neste processo. Muitas empresas do ramo da informática também se deixam enganar. É controverso mas é verdade. Na questão delicada da pirataria, a maioria das empresas que vivem da comercialização de software infelizmente ainda usa ferramentas piratas em seu processo de produção, ou seja, colaboram com um mal que pode se voltar contra elas mesmas. Outro fato é que essa maioria também não se preocupa em se manter atualizada, não investe em novas tecnologias de maneira consciente e coloca os fatores quantitativos acima dos fatores qualitativos. E não é só uma questão técnica, mas se inclina pro lado administrativo, uma vez em que as decisões nestes locais são tomadas na maior parte dos casos desconsiderando os requisitos de planejamento inerentes a suas ações, ou em outras palavras, quem toma as decisões não tem conhecimento técnico, não só técnico do ponto de vista de "bits e bytes" mas sim essencialmente contextualizado e coerente com o resultado final daquilo que fazem, principalmente voltando-se pro objetivo de atender melhor seus clientes (aquilo que foi falado sobre capacidade pra oferecer a melhor solução e não uma "gambiarra" só pra "fazer média").
Em resumo, o que falta mesmo é um pouco mais de profissionalismo da parte do pessoal e área e um pouco mais de consciência dos consumidores. Se fossemos argumentar detalhadamente e debater todas as questões envolvidas, gastaríamos muito mais palavras do que já gastamos, mas eu tenho uma espécie de crônica que sintetiza tudo isso (é uma história pessoal real)...
Para que eu obtivesse minha CNH (Carteira Nacional de Habilitação), passei por aulas e testes teóricos e práticos de carro e moto (fiz inclusive um teste que atestou minhas condições psicológicas e outro pras aptidões físicas como a visão). Preparado e aprovado em todos eles depois de um tempo eu recebi minha habilitação categoria AB. Dias depois eu comprei minha moto. Hoje trafego com ela pelas ruas seguindo as leis, normas e técnicas que aprendi, e, em três anos, nunca fui multado ou me envolvi em acidentes (tirando os tombinhos bestas no cascalho e na areia e a vez que caí sozinho com a moto parada e desligada no posto de gasolina quando a barra da minha calça enroscou no pedal da troca de marchas). O pessoal da loja disse que a cada 1.000 Km precisaria fazer a troca de óleo e a cada 4.000 as revisões pra manter o bom funcionamento dela, o que tenho feito à risca. Dos raros e eventuais reparos que a moto precisou eu levei ela à concessionária pros mecânicos de lá, que entendem do assunto, fazerem o serviço. Minha moto nunca deu problemas maiores e embora ela chegue a 140 Km/h eu sempre trafego no limite de velocidade permitido, não ando na contra-mão, não faço acrobacias (deixo isso pro Joaninha, que batalhou muito pra ser campeão competindo e treinando em lugares e com equipamentos seguros e apropriados) e sei das minhas limitações, entre elas o fato de que não posso esquecer que por ter uma carteira AB só posso dirigir moto e carro, nem pensar em querer pegar uma carreta, isso deixo pra quem é habilitado e capacitado... E por aí vai... Bem, se você olhar os detalhes disso verá uma coisa: existem padrões e regras (inclusive de segurança) pra que as coisas funcionem bem - e quando não funciona foi porque a imbecilidade se superou. Porque na informática isso tem que ser diferente!?
Nesse meio o pensamento deveria ser, de maneira simples, padronização e organização para a consequente otimização dos processos, afinal aqui as coisas são mais sérias, exigem mais controle, os dados em questão são muito mais importantes que um perfil numa rede social, mas, como corporações são feitas de pessoas, as mesmas falhas do "pessoal" se infiltram na "cultura" da maioria dessas instituições - e eu vou dar só uma "pincelada" pois este assunto pode até ser perigoso pra mim, mas eu prefiro não ser parcial.
Uma das dificuldades em se obter sucesso na gestão da informação em boa parte das corporações não é culpa simplesmente do processo de adaptação ao, no caso, novo sistema informatizado de gerenciamento em si, mas, analisando de forma bem direta e crítica, muitas instituições não procuram um modo de tornar seus processos mais padronizados, otimizados e produtivos, não tratam sua organização interna com o zelo que deveria, mas querem apenas uma coisa que, como diria um colega de profissão, "informatize sua bagunça".
Dessa forma qualquer tentativa no sentido correrá sempre o risco de fracassar, pois, por mais que o vilão da história sempre acabe sendo o sistema computacional, o problema é muito mais profundo, algo que a consultoria de um bom profissional da administração poderia resolver (mas isso também nem sempre é tido com importante). Diante disso o jeito é "flexibilizar" os padrões antes propostos, só que essa flexibilização também não é feita de modo a se manter o mínimo de padrões necessários para garantir a estabilidade desses processos, o que vai se refletir nos resultados destes.
Entenda que isso não significa que "personalizações" não devem ser feitas - o problema está no fato de que estas "personalizações" nem sempre são bem projetadas e muitas vezes não passam de meros "fetiches" que ao longo do tempo comprometem não só o sistema de gestão, mas também tornam o processo de administração dos dados em questão em algo muito confuso ou até sem lógica.
Em suma, seria aquilo que a Física já diz a tempos e que chamamos de entropia, que é a tendência dos sistemas ao desgaste, com consequente relaxamento dos padrões e aumento da aleatoriedade. Parece que os gestores têm dificuldades de enxergar isso, esperando da ferramenta algo além de sua função, negligenciando o papel da pessoa no processo de controle lógico desta ferramenta esperando que ela funcione como um bola de cristal, e do lado dos "fornecedores" falta capacidade de lidar com estas situações, capacidade pra oferecer uma solução e não um paliativo.
Já dizia o velho ditado que "de médico e louco todo mundo tem um pouco", mas ele também se encaixaria hoje perfeitamente com a computação. Como já dito, por ela estar em foco e ser uma ferramenta de integração (o que é muito bom mesmo, afinal existe pra isso) ela acaba sofrendo com o fato de todo mundo achar que pode "meter a mão", ou que o seu sobrinho faz isso fácil-fácil com a "mão nas costas"... O profissional e a própria área são desvalorizados nesta cultura e o resultado é que os bons profissionais, empresas e produtos são deixados de lado e os maus ganham evidência.
E não só o pessoal da área sofre com isso, mas todos que usam a informática de alguma forma também. Essa falta de consideração faz com que empresas e pessoas sejam vítimas de quem se infiltra na área se dizendo profissional de TI, mas age sem nenhuma ética, sem se preocupar com a qualidade dos produtos e serviços oferecidos. São estas pessoas que por exemplo impulsionam a pirataria de software, pois sempre oferecem as soluções mágicas e mais fáceis, que todos sabem muito bem como são obtidas na maioria das vezes.
Entrando nisso, quem apoia os projetos do mundo GNU/Linux e do software livre (como eu) em geral acaba sofrendo preconceito, chamado de fanático etc... Infelizmente enquanto vivermos em um mundo em que o dinheiro (e ganho de forma mais fácil) for mais importante do que a qualidade isso dificilmente vai mudar! E o que o administrador de uma empresa que não é obrigado a entender de informática tem a ver com isso? Bem, muitas vezes ele cai na conversa de maus profissionais, se torna parceiro da pirataria e coloca os dados de sua empresa em risco, prova disso são os não raros servidores com senhas "123456" que eu vivo encontrando por aí (você entregaria sua senha do banco ou a chave de sua empresa ou casa assim tão fácil?), redes, permissões de acesso, políticas de privacidade e sistemas mal-projetados e desperdício de material e dinheiro - pra não entrar em dados técnicos que levarão e mostrar fatalmente porque o GNU/Linux deveria ser mais levado em consideração e usado principalmente no meio corporativo.
E não são só as empresas não ligadas a informática que são enganadas neste processo. Muitas empresas do ramo da informática também se deixam enganar. É controverso mas é verdade. Na questão delicada da pirataria, a maioria das empresas que vivem da comercialização de software infelizmente ainda usa ferramentas piratas em seu processo de produção, ou seja, colaboram com um mal que pode se voltar contra elas mesmas. Outro fato é que essa maioria também não se preocupa em se manter atualizada, não investe em novas tecnologias de maneira consciente e coloca os fatores quantitativos acima dos fatores qualitativos. E não é só uma questão técnica, mas se inclina pro lado administrativo, uma vez em que as decisões nestes locais são tomadas na maior parte dos casos desconsiderando os requisitos de planejamento inerentes a suas ações, ou em outras palavras, quem toma as decisões não tem conhecimento técnico, não só técnico do ponto de vista de "bits e bytes" mas sim essencialmente contextualizado e coerente com o resultado final daquilo que fazem, principalmente voltando-se pro objetivo de atender melhor seus clientes (aquilo que foi falado sobre capacidade pra oferecer a melhor solução e não uma "gambiarra" só pra "fazer média").
Em resumo, o que falta mesmo é um pouco mais de profissionalismo da parte do pessoal e área e um pouco mais de consciência dos consumidores. Se fossemos argumentar detalhadamente e debater todas as questões envolvidas, gastaríamos muito mais palavras do que já gastamos, mas eu tenho uma espécie de crônica que sintetiza tudo isso (é uma história pessoal real)...
Para que eu obtivesse minha CNH (Carteira Nacional de Habilitação), passei por aulas e testes teóricos e práticos de carro e moto (fiz inclusive um teste que atestou minhas condições psicológicas e outro pras aptidões físicas como a visão). Preparado e aprovado em todos eles depois de um tempo eu recebi minha habilitação categoria AB. Dias depois eu comprei minha moto. Hoje trafego com ela pelas ruas seguindo as leis, normas e técnicas que aprendi, e, em três anos, nunca fui multado ou me envolvi em acidentes (tirando os tombinhos bestas no cascalho e na areia e a vez que caí sozinho com a moto parada e desligada no posto de gasolina quando a barra da minha calça enroscou no pedal da troca de marchas). O pessoal da loja disse que a cada 1.000 Km precisaria fazer a troca de óleo e a cada 4.000 as revisões pra manter o bom funcionamento dela, o que tenho feito à risca. Dos raros e eventuais reparos que a moto precisou eu levei ela à concessionária pros mecânicos de lá, que entendem do assunto, fazerem o serviço. Minha moto nunca deu problemas maiores e embora ela chegue a 140 Km/h eu sempre trafego no limite de velocidade permitido, não ando na contra-mão, não faço acrobacias (deixo isso pro Joaninha, que batalhou muito pra ser campeão competindo e treinando em lugares e com equipamentos seguros e apropriados) e sei das minhas limitações, entre elas o fato de que não posso esquecer que por ter uma carteira AB só posso dirigir moto e carro, nem pensar em querer pegar uma carreta, isso deixo pra quem é habilitado e capacitado... E por aí vai... Bem, se você olhar os detalhes disso verá uma coisa: existem padrões e regras (inclusive de segurança) pra que as coisas funcionem bem - e quando não funciona foi porque a imbecilidade se superou. Porque na informática isso tem que ser diferente!?
Fala-se ainda da TV digital e a tão propalada interatividade. Pra quê? "Pra facilitar a vida do telespectador ao tentar votar em enquetes (BBB e programas de auditório); fazer compras" e outras bobagens.
Não vemos o direcionamento de tais recursos para a Educação e utilidades públicas. Parece-me que as pessoas só querem mesmo expandir seus mundinhos isolados e saber da vida alheia de artistas e celebridades.
Façamos um teste: deixe computadores disponíveis e de graça num "shopping" ou em qualquer outro lugar público - as pessoas só vão usar pra MSN, redes sociais e jogos. Com raríssimas exceções, veremos uma criança ou um jovem pesquisando trabalhos de escola ou outra coisa mais útil.
A mídia e a indústria nos induzem a adquirir seus produtos somente para as referidas bobagens. Basta ver a publicidade de smartphones: "Você se conecta ao MSN, redes sociais e baixa jogos".
Nem nossos filhos escapam: nos canais fechados voltado para crianças, vemos um bombardeio de anúncio para baixar toques, wallpapers e jogos para celulares - sem se darem conta que estão querendo fazer civilmente incapazes contratarem serviços sem autorização dos pais. Quando o pai/mão vir a conta do celular, está lá o estrago feito por serviços adquiridos pelos filhos sem seu conhecimento!