O bom e velho Xterm

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Por: Sidnei Serra em 24/02/2026 | Blog: https://www.youtube.com/@alquimistaTI


O XTerm - configuração básica



Em tempos de terminais bonitinhos com múltiplas abas, integrações de ícones e outras coisas, tem um carinha que normalmente é instalado por padrão nas distribuições de Linux mas que fica mais deixado de lado do que manual de instrução de celular: o XTerm.

Linux: O bom e velho Xterm
O Xterm é um terminal simplão, sendo considerado "feio" para os padrões de hoje: fonte quadrada, cara de software abandonado, interface que parece ter sido desenhada quando monitor ainda era quadrado (e foi, hehehe). Se você abrir isso hoje, do lado de um terminal cheio de transparência, blur, sombra e emoji colorido, a comparação fica bem mais evidente. Mas aí entra o detalhe que muita gente odeia admitir: XTerm funciona; sempre.

Enquanto um terminal bombadão instalado e configurado:
  • depende de GPU;
  • depende de Wayland ou mesmo X11 alinhados;
  • depende do compositor não estar de "compositagem";
  • depende de meia dúzia de libs que quebram a cada release;

o XTerm tá lá, firme, olhando pra você dizendo: "Ô môuçu, eu estou aqui!" igual a minha gata pedindo comida.

O XTerm não é pra agradar e sim para funcionar. Terminais modernos têm um problema sério: tentam ser legais demais, muitas vezes por vontade do usuário que procura facilidades de uso que normalmente são dadas por plugins, como transparência, blur, "adivinhar" o que você quer e até reinventar copy/paste. O Xterm não tem nada disso, nem abas, nem interface de configuração. Ele só quer emular um terminal direito, como manda o figurino, o usuário é que muda (ou quer mudar) as coisas.

Selecionou com o mouse? Copiou; botão do meio? Colou; quer diferente? Vai configurar, cumpadi. E é aí que o bagulho complica. Vão dizer que "Mas ninguém usa isso hoje" mas usa sim, a não ser a galera que troca de distro "a cada seis meses". Os terminais são usados por:
  • quem depura software sério;
  • quem mexe com sistemas antigos;
  • quem trabalha remotamente;
  • e, principalmente, quem faz edições de configuração de arquivos manualmente ou uso programas cmd e scripts.

Mas quando algo dá errado em modo texto em um terminal bonitinho, adivinha em qual terminal o cara testa primeiro? Não é no terminal com blur roxo translúcido. É no XTerm porque, se quebra no XTerm, aí sim você tem um problema de verdade.

Configuração: o item que gera a "crise do 'nungostêi' por ser feio"

Aqui mora a metade do ódio. XTerm não tem arquivinho bonito, wizard, menu gráfico, preview ao vivo ou abas, é só a janela do terminal todo preto com letras parecendo bugadas e com a aparência dos jogos da seleção brasileira. Ele usa Xresources, aquela coisa jurássica que faz muita gente chorar no banho.
Mas o detalhe é que os chorões ignoram o nível de controle absurdo que isso proporciona. Você pode configurar praticamente tudo: fonte, cores, cursor, comportamento de seleção, scroll, teclado, mouse, encoding mas tudo já está funcional sem mexer em nada disso. Só não pode reclamar que é difícil e, ao mesmo tempo, querer controle total. Escolha um.

Robustez: quando tudo quebra, o XTerm continua lá

Esse é o ponto que dói. Você muda compositor, driver de vídeo, WM, DE, backend gráfico e de repente o terminal não abre, o texto pisca, o input atrasa, cola errado, trava e já começa "máis qui sistêma pôudre, púrisso êu perefíru Uíndôws". Aí você abre o XTerm e... ele funciona! E isso não é coincidência, é a consequência de querer manter funcionando o que já funciona.

O problema não é o XTerm - é o ego do usuário

Muita gente odeia o XTerm porque ele expõe uma verdade incômoda: você não precisa de 90% das firulas que acha que precisa. O XTerm escancara isso pois não tem abas, ícones, blur ou animação, é mais sem graça do que descobrir que todo mundo ganhou aumento menos você. E mesmo assim, faz o trabalho melhor do que muita coisa "moderna" - como você no exemplo anterior em relação ao aumento. Isso fere o ego de quem confunde produtividade com estética e isso não é só no terminal, também ocorre com distribuições onde o usuário normalmente dá mais valor àquela "distro bunitinha" do que uma funcional. E por conta disso o Xterm só costuma mostrar a sua funcionalidade quando a vaca já foi pro brejo...

Mesmo sendo velho, feio e chato de ser configurado, ainda assim está lá pra te tirar da lama enquanto os outros te deixaram na mão, pra depois ser esquecido de novo quando tudo voltar a funcionar graças a ele. Se você odeia o XTerm, tudo bem, ele está nem aí por você; mas quando seu terminal favorito resolver dar piti numa compilação de 5 horas, ou uma gravação de vídeo via cmd, ou quando o sistema "morrer", adivinha quem ainda vai estar lá, aberto, esperando você digitar?

Pois é...

Aqui então está uma configuração que vai dar uma "upada" na aparência do XTerm sem fazê-lo perder as funcionalidades. Edite o arquivo ~/.Xresources:

nano ~/.Xresources

Cole essas linhas:

Xcursor.theme: WinSur-dark-cursors
Xcursor.size: 16
XTerm*faceName: DejaVu Sans Mono
XTerm*faceSize: 12
XTerm*geometry: 79x21
XTerm*scrollBar: false
XTerm*borderWidth: 0
XTerm*background: #2e3436
XTerm*foreground: #d3d7cf
XTerm*cursorColor: #fce94f
XTerm*cursorTextColor: #2e3436

CTRL+O para salvar e CTRL+X para sair; depois:

xrdb -merge ~/.Xresources

Vá lá no XTerm e ele deverá aparecer como mostrado abaixo.

Linux: O bom e velho Xterm
Acredito que as configurações mostradas devam satisfazer a maioria dos usuários, com uma janela de tamanho adequado, basicamente com tudo que o sistema do usuário já tenha. Até as cores são configuradas para que os comandos usados não fiquem com letras sobrepostas pelo cursor do mouse.
Há outras configurações mas creio que essas já são suficientes para tirar a "cara de véio" para algo mais moderno sem perder a identidade funcional.

   

Páginas do artigo
   1. O XTerm - configuração básica
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Comentários
[1] Comentário enviado por xerxeslins em 24/02/2026 - 15:12h

Quando quero o mínimo do mínimo, instalo ele e o icewm.





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